E fechava o tempo, as negras nuvens rodeavam minha casa e pareciam fofas como algodão doce. Só que este tinha caído no chão. Estava sujo. O cinza escuro era a cor que predominava, com a pouquíssima claridade que ultrapassava aquela grossa camada. Ainda não tinha notado, mas a árvore que vivia em frente a minha casa balançava incessantemente. Parecia dançar com o assovio do vento. Acho que ela se sentia feliz com todo aquele alvoroço, alguns movimentos em sua monótona vida, que pareciam bem mais interessantes do que a poda anual. Na verdade eu via aquela planta sorrindo, um largo sorriso que bailava em ritmo de valsa, com alguns passos diferentes que eu não reconhecia. As raízes firmes e fortes, agarradas a terra vermelha e barrenta, onde muito pouco vingava.
Decidi ir para a rua, ver de perto tudo que estava acontecendo. Eu pensava em tudo que me incomodava e naquele momento passaram a não incomodar mais. Todas as preocupações que tive precipitadamente. Eu gostaria de ser como todas as árvores, simplesmente mais uma, porém sempre notada. Nunca damos bola para uma insignificante árvore, mas sempre soubemos que ela estava lá. As árvores mais procuradas são aquelas que dão bons frutos. Suculentos, doces, deliciosos. Sim. Eu admiro o conteúdo das pessoas, sua maneira de pensar, suas opiniões e suas criticas. Mas na verdade eu admirava mesmo o meu limoeiro, que bailava como ninguém
Escrito por Christofer Silva às 04h48
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